E eu tenho esta vida que é toda minha. Absolutamente sob minha responsabilidade. E quando eu erro, às vezes, acabo acertando. Às vezes, termino arrependida. Mas eu tento, sempre tento. E avanço mesmo quando isto significa dar uma pausa e esperar. O tempo certo é o tempo do tempo mesmo. O que é melhor nem sempre é o que se anseia avidamente. Felicidade é uma bestagem dessas: matar saudade, matar a fome com aquilo que se tem vontade, perder o medo, conquistar um amigo, encontrar um amor, mas estar totalmente inteiro no lugar que se escolheu. E querer bem: a si, ao Outro, ao Mundo… Um bem-querer que inunda tudo. E sossegar nossas paixões para, quando tivermos de lançar mão delas, nos mover com voracidade em direção àquilo que se quer, porque é justo e merecido.

E sempre recebo uma boa notícia: um bocado de alegria inusitada que só poderia ser minha porque eu tenho esta vida onde eu vivo inteira. Esta é minha riqueza. E quem cuida dela sou eu: me estabaco, me iludo, me machuco, erro, acerto, amo demasiado, tenho ímpetos de fúria, fomes de solitude, vontades insaciáveis de mato, água doce e salgada, sol e chuva. Eu tenho apetite de sonhos novos. E escrevo, escrevo, escrevo sobre a dor ou sobre a saudade, mas sempre tentando viver e imprimir nas palavras, afeto, esperança, sobriedade.

Eu vivo em pleno estado de GRATIDÃO.

Desejo boas notícias.

Marla de Queiroz